Lauren Sales | Nov 2022
É normal que os preços praticados pelo mercado sofram variações no decorrer do tempo e isso pode ser resultado de diversos fatores, desde o crescimento econômico à alterações no poder de compra da população.
Dentre os motivos mais comuns para a subida ou queda nos preços se encontram a alteração nas taxas de juros: em cenários que se a SELIC (taxa básica de jutos da economia brasileira e principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação) está mais baixa estimula o consumo, o que reflete em todos os setores da economia, já que o consumo mais elevado significa um aumento na demanda e esse é o principal motivo para o aumento nos preços - quanto maior a procura por um determinado produto, maior as chances de seu preço subir.
O aumento nos custos de produção (materiais, mão de obra, transporte e distribuição) também afetam diretamente nos valores dos bens de consumo no mercado, sendo natural que seu preço acabe se elevando a fim de mater-se a margem de lucro da cadeia de produção e comercialização. Outro fator que impacta diretamente no poder de consumo da população é a emissão do papel-moeda: uma maior impressão de moeda no território nacional afim de quitar débitos govenamentais gera desequilíbrio entre o que está sendo produzido e ofertado com o dinheiro disponível no mercado, o que gera inflação.
Nos momentos em que o salário da população não acompanha o aumento generalizado dos preços de bens e serviços a tomada de decisões - em especial as que envolvem grandes investimentos, como é o caso de investimentos imobiliários - exigem ainda mais análise e planejamento, já que os custos das operações de crédito se tornam mais elevados.
É natural que o preço dos imóveis varie de acordo com a demanda, bem como as situações política e econômica nacional e em momentos de alta na inflação o Banco Central aumenta a taxa SELIC, que reflete em todos os índices praticados pelo mercado como os IPCA, CDI, IGP-M e INCC usados nas operações imobiliárias e em toda a economia.
Na prática foi possível visualizar o impacto desses índices a partir da crise gerada pelo aumento na inflação com o avanço COVID-19 em que o IGP-M (Índice Nacional de Preços - Mercado), historicamente usado como referência nos reajustes de contratos de aluguel teve alta de 37,04%, gerando dificuldade nas negociações e cedeu espaço para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que teve alta de apenas 8,06% em 2020 e respectivamente 16,77% e 9,26% em 2021.
Apesar disso, as locações neste ano se mantiveram em alta: a alta nos juros traz desafios à venda de imóveis, com os custos das operações financeiras mais elevados, o que gera maior dificuldade para as famílias de realizar financiamentos e o sonho da casa própria acaba sendo adiado, mantendo o número de locações em elevado.
Um levantamento realizado pela ABRAINC (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) demonstra que o volume de financiamentos no primeiro semestre desse ano teve um aumento de 5% em relação ao mesmo período do ano passado, o que demonstra que mesmo com o cenário socioeconômico internacional instável e a alta nas taxas de juros a demanda por imóveis seguiu como uma forte tendência no decorrer de 2022.
Segundo a ABRAINC o setor imobiliário ainda não sentiu totalmente o efeito da alta nos juros e deve seguir aquecido nos próximos anos: uma pesquisa realizada pelo instituto DATAFOLHA no início deste ano demonstra que 87% dos brasileiros de todas as idades desejam ser os proprietários de suas moradias - e o percentual é ainda mais alto entre os mais jovens: 91% dos entrevistados sonham em conquistar a casa própria.
É importante ressaltar também que o número de vendas no decorrer do ano, segundo a ABRAINC, foi superior ao de lançamentos, em especial em relação aos imóveis de alto valor agregado, com um acréscimo de 103% no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2021.
O preço médio por m² em Londrina, segundo reportagem do G1 está em torno de R$ 4.279,00 e mesmo que o IGP-M tenha apresentado queda no último mês os preços dos imóveis têm alta acumulada de 6,25% de setembro de 2021 a setembro de 2022.
Além do aumento na demanda, o aumento nos preços dos imóveis considera o aumento do INCC acima da inflação e segundo reportagem publicada pela FOLHA esses valores devem continuar em alta, em especial nos imóveis de alto padrão.
Calculado mensalmente pelo IBRE (Instituto Brasileiro de Economia), unidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o INCC tem a função de medir a variação nos custos de elementos da Construção Civil. O índice considera os fatores fundamentais do setor - mateirais, equipamentos, serviços e mão-de-obra - e até outubro desse ano já apresentava alta acumulada em 8,96% e influencia diretamente o preço praticado ao comprar imóveis na planta, que possuem seus valores corrigidos de acordo com esse indicador e, se por um lado os empreendimentos nos moldes do programa Casa Verde e Amarela desacelerou, os imóveis de alto padrão continua aquecido, confira mais na reportagem A SEGURANÇA DO INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO.